sábado, 6 de janeiro de 2018

Na maior parte do tempo, sou honesta

Já falei do tempo algumas vezes, sobre como ele passa e nos ensina tantas coisas. Ele continua a passar... meu sonhe é escrever um livro, contar sobre as loucuras que se passam na minha mente, sobre como vejo as pessoas se perdendo em suas noias, seus problemas, suas dificuldades e sobre como dão pouco valor às relações. Escrever sobre o que vejo na rua, no metro, no trem, em SP. Falamos tanto e fazemos pouco.

Não cuidamos do nosso dia a dia, pouco respeitamos nosso corpo, nossa alma e nossos pensamentos. Deixamos de lado nossos desejos mais profundos para viver uma vida que não é nossa, para comprar mais, para agradar que não dá quase nada em troca. Deixamos de dizer não e reprimimos tantas vontades. Tornamos impossível sermos respeitados, porque pouco fazemos por nós mesmos.

No caminho do trabalho, todos os dias, reflito sobre o quanto nos enganam, nos exploram, e não nos deixar ser. Vendem ideias absurdas, possíveis somente para quem tem dinheiro, privilégios, poder, e ainda nos acusam de preguiçosos, dependentes, tristes, sem iniciativa, burros, resilientes ao ponto da inconformidade.

Você se deita e imagina uma vida mais fácil, com mais tempo, com mais alegrias, com mais espaço, com mais possibilidades. Mas acorda para um mundo que arranca sua autonomia, seu caráter, sua dignidade, e que te conta uma história linda sobre a falácia da meritocracia. Alimentam um sonho impossível de ser alcançado pela maioria para você continuar servindo, continuar ativo, útil. E se você não acredita, é pessimista, mal-humorada, sem tesão.

Todos os dias, enquanto vejo a Marginal passa na janela, alguém comenta que odeia o trabalho, a empresa, o colega que senta ao lado. Uma criança chora, entra um moço vendendo fone e sua comparsa compra um para disfarçar. Eu os vejo trocando a mercadoria e o dinheiro atrás da coluna, fora do vagão. Na próxima estação entra uma dupla, tocando gaita e violino. Todos olham, alguns sorriem, um momento de vida sincera.


Na maior parte tempo sou honesta. Diplomática com meus desejos e obrigações. Agradável para os próximos e descontraída com os perrengues do cotidiano. Às vezes eu me irrito. Com a falta de empatia, com o Word, com a bagunça e a falta de administração. Me excedo com as palavras e histórias. Detesto loucuras pessoais que afetam a harmonia do grupo, que impedem o andamento, que alcançam a serenidade dos pensamentos. Nos deixem trabalhar, por favor, vão na terapia. Eu sei que eles nos fazem acreditar que o mais importante é se dedicar para eles, mas não acredite. Pode fingir, mas não se desespere. 

A vida



Eu poderia te mandar um texto sobre a vida, sobre o que aprendemos com ela,  sobre ela ser boa apesar de tudo, sobre o que você vai conseguir se persistir, mas todos eles são uma mentira. Eu poderia escrever para você um texto sobre a vida, sobre o que eu aprendi no pouco tempo que vivi, sobre o que eu vejo nas ruas, em casa e nos filmes. Eu facilmente poderia te enganar, e dizer que quando a gente tem força tudo é lindo, tudo da certo, e que todas as escolhas do coração são as melhores que fazemos e que no fim vai dar tudo certo, se não deu certo, não chegou ao final. Mas eu prefiro te dizer algumas verdades.

A vida é difícil pra caramba. A gente erra muito, a gente acerta muito, e os dois deixam marcas no nosso rosto e no nosso coração, igualmente profundas.

Tem dia que a gente que morrer, que ir embora, e têm dias que a gente quer abraçar o mundo, e tudo isso pode acontecer em questão de minutos.

Tem gente que é desgraçada, maldosa, sem alma, e tem algumas pessoas que tocam nosso coração, e não são tão lindas assim.

A gente tem que escolher toda hora, mesmo sem perceber, toda hora estamos fazendo escolhas. Mas também tem muita coisa que a gente não escolheu, e que acontece na nossa vida.

Mas o mais importante aspecto da vida é a família. Porque você pode ter problemas, fazer escolhas erradas, conhecer pessoas estranhas e maldosas, você pode errar muitas vezes, se você tiver ao seu lado uma pessoa que te ama, como (normalmente) somente a família pode fazer, sempre existirá um colo para você chorar e recomeçar.