Já falei do tempo algumas vezes, sobre como ele passa e nos
ensina tantas coisas. Ele continua a passar... meu sonhe é escrever um livro,
contar sobre as loucuras que se passam na minha mente, sobre como vejo as
pessoas se perdendo em suas noias, seus problemas, suas dificuldades e sobre
como dão pouco valor às relações. Escrever sobre o que vejo na rua, no metro,
no trem, em SP. Falamos tanto e fazemos pouco.
Não cuidamos do nosso dia a dia, pouco respeitamos nosso corpo,
nossa alma e nossos pensamentos. Deixamos de lado nossos desejos mais profundos
para viver uma vida que não é nossa, para comprar mais, para agradar que não dá
quase nada em troca. Deixamos de dizer não e reprimimos tantas vontades.
Tornamos impossível sermos respeitados, porque pouco fazemos por nós mesmos.
No caminho do trabalho, todos os dias, reflito sobre o
quanto nos enganam, nos exploram, e não nos deixar ser. Vendem ideias absurdas,
possíveis somente para quem tem dinheiro, privilégios, poder, e ainda nos
acusam de preguiçosos, dependentes, tristes, sem iniciativa, burros, resilientes
ao ponto da inconformidade.
Você se deita e imagina uma vida mais fácil, com mais tempo,
com mais alegrias, com mais espaço, com mais possibilidades. Mas acorda para um
mundo que arranca sua autonomia, seu caráter, sua dignidade, e que te conta uma
história linda sobre a falácia da meritocracia. Alimentam um sonho impossível
de ser alcançado pela maioria para você continuar servindo, continuar ativo, útil.
E se você não acredita, é pessimista, mal-humorada, sem tesão.
Todos os dias, enquanto vejo a Marginal passa na janela,
alguém comenta que odeia o trabalho, a empresa, o colega que senta ao lado. Uma
criança chora, entra um moço vendendo fone e sua comparsa compra um para disfarçar.
Eu os vejo trocando a mercadoria e o dinheiro atrás da coluna, fora do vagão. Na
próxima estação entra uma dupla, tocando gaita e violino. Todos olham, alguns
sorriem, um momento de vida sincera.
Na maior parte tempo sou honesta. Diplomática com meus
desejos e obrigações. Agradável para os próximos e descontraída com os
perrengues do cotidiano. Às vezes eu me irrito. Com a falta de empatia, com o
Word, com a bagunça e a falta de administração. Me excedo com as palavras e
histórias. Detesto loucuras pessoais que afetam a harmonia do grupo, que
impedem o andamento, que alcançam a serenidade dos pensamentos. Nos deixem
trabalhar, por favor, vão na terapia. Eu sei que eles nos fazem acreditar que o
mais importante é se dedicar para eles, mas não acredite. Pode fingir, mas não
se desespere.