sábado, 29 de setembro de 2012

Raízes


Desembaraçando as raízes presas nos meus pés.
Caminhar é necessário.
Deixe as flores onde elas estão, assim todos que passarem poderão vê-las, mas recorte as amarras e caminhe... Há muitas flores no caminho e muitos outros espinhos vão te pinicar.
Troque destinos e embaralhe conhecimentos.
A ideia alheia nos faz crescer, o olho do próximo nos faz enxergar.
Mude, mas faça sentido.
Conhecer a si próprio é algo que poucos conquistam, dá medo de encontrar uma profunda inexistência.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A arte

Minha arte me ilumina, me inspira, me completa.
Todo mundo tem um pouco de arte, todo mundo uma hora ou outra transcende esse universo cinza.
Ter arte é sentir, mesmo por um instante, algo que completa, é extravasar um sentimento representando o abstrato que existe de você.
À flor da pele.

Com tinta, com palavras, com a dança, com música, com a escultura, com inúmeras formas de tentar mostrar para o outro, ou para si mesmo, o caos que a mente vive, todo dia e toda hora tentando decifrar os signos nos afogando, nos afundando.
A arte é rupestre, ela é parte de nós, é o ser humano mostrando sua parte boa.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Aconchego

No pretérito do abismo você não existia, minha vida era vazia.
Com a invenção do aconchego minha vida virou de mundo.
Agora tudo era dois, era nós, era da gente, era nosso, era junto e aproximado.
Era ao mesmo tempo.
Nas férias de viver você é meu recanto e
enquanto dormes, sei que ainda me olha de canto.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A gigante da cidade



Dirigindo pelas ruas de São Paulo... Prédios para todos os lados, o barulho do trânsito, da ambulância, da buzina da moto... Indo trabalhar, sábado, atrasada... Calor insuportável e nada de ar condicionado. O pensamento acelerado faz meus olhos correrem para todos os lados. De repente uma árvore. Uma seringueira enorme, no meio de tudo aquilo. Tudo desligou enquanto meus olhos focaram somente naquela árvore. Linda. Impune. Gigante. Desprezando a imensidão de cinza a sua volta, sobrevivendo. Buuuuuuuuuuuuuuzina. Volta pra realidade. Antes de engatar primeira um pensamento: tenho que ser impune como ela. Gigante como ela. Tenho que desprezar esse cinza que atormenta e continuar sobrevivendo dentro de mim.

Como você descobriu a história?


A partir do texto Uma criança constrói a história de Phillipe Airés veio a inspiração...




Como com o autor, vivi em um oásis durante muito tempo. As histórias do passado ou de meu próprio tempo não faziam parte de minha vida. Em casa o jornal era ligado na televisão todos os dias, a voz grave e alta do meu pai fazia comentários sarcásticos e críticos todos os momentos, com faz até hoje. Eu e meu irmão perguntávamos o que aquilo queria dizer, por que ele achava aquilo uma bobagem, ou uma mentira deslavada. Ele explicava. Mas mesmo assim, não fazia parte de mim. Eu perguntava só pra ouvir a voz do meu pai, não porque realmente me interessava o que acontecia além da porta de casa. Alguns fatos históricos influenciam diretamente em nossa vida, por mais que não pensamos em história. Quando era criança o fato mais importante foi o Plano Real. Eu achei aquilo muito estranho. Como um papel podia valer alguma coisa e depois não valia nada e, ainda ia ter outro papel que ia valer alguma coisa; pior ainda, 2000 do papel anterior era a mesma coisa que 1 do papel de agora...  O dinheiro é mesmo uma coisa fascinante.
A história de antes demorou a fazer parte de minha vida. A história do Brasil de meu pai e minha mãe influenciou diretamente em suas vidas. Um mundo completamente diferente do meu e, que não tenho a mínima vontade de viver. Os anos da ditadura são uma página em branco nos causos de meu pai; mineiro que só ele, vive contando suas histórias de infância, de adolescência, de faculdade, de seu primeiro trabalho e etc. Mas os anos 60 e 70 têm lacunas que não ouso preencher. Foi só quando estudei na escola o período militar que falamos sobre ele em casa. Meu pai respondeu todas as minhas perguntas históricas, sem dizer uma palavra de suas próprias vivências, mas gritando suas próprias conclusões. Da segunda vez que estudei o período meu pai já não morava em casa e minha mãe contou a versão dela. Uma das poucas pessoas que não sofreu tanto assim, sempre que tocamos no assunto ela repete: “Hippie era coisa de rico, eu estava muito ocupada trabalhando para ajudar meu pai a comprar batatas”. E então ela passava a falar de história do meu pai. O que descobri em fim, foi que meu avô paterno era comunista e que ele e meu pai foram presos juntos. Nada mais.
A história dos meus avós me fascinou desde pequena. Por ter descendência armênia me sentia diferente da maioria dos meus colegas e amigos. Era um mundo estranho, tão difícil de achar no mapa, diferente da Itália e da Espanha, descendência da maioria absoluta. Além disso, a história dos bisavôs é um pouco turva, ninguém sabe direito como tudo aconteceu. Pra variar, tudo começou com a guerra! A guerra dos armênios e os turcos foi sanguinária. Os armênios foram dizimados e expulsos de sua terra. Meu bisavô lutou nessa guerra como chefe de revolução. Depois que as cidades foram invadidas pelos turcos, os armênios se escondiam em sua terra que tanto conheciam. No meio da noite desciam para a cidade e matavam o turcos enquanto eles dormiam. Na volta para o esconderijo eles faziam a contagem de quantos turcos haviam matado; a contagem era feita com as orelhas arrancadas daqueles que cada um matou. Meu bisavô foi descoberto e resolveu fugir. A primeira versão da história é que ele pegou sua mulher, minha bisavó e fugiram de barco para a Europa, passaram pela França e depois vieram para o Brasil. A segunda versão é que meu bisavô roubou minha bisavó de seu então marido enquanto fugia. Até hoje ninguém sabe se o meu avô nasceu no Brasil ou na França.
A primeira vez que me senti vivendo a história foi em 11 de setembro de 2001. Pela primeira vez na vida eu vi na TV e no jornal, ao vivo, algo que eu pensava que só veria nos livros de história, na boca dos mais velhos, em um filme de Hollywood. Foi um dia inesquecível para todos de minha geração. Com certeza para todos nós foi a primeira vez. A gente dizia: “Que horror... Nossa, nossos filhos vão estudar isso na escola”.  A partir dai a história foi mais presente em minha vida. Pensando hoje, entendo que é preciso ter maturidade para perceber como a história do mundo pode de fato influenciar em nossas vidas. Mas como também ela chega para nós de forma deturbada, irreal, recortada segundo os critérios do poder, da política. Quantos fatos que não sabemos, ou que sabemos metade da história? Mesmo dentro da escola a história que aprendemos é na verdade uma releitura de nosso passado. Acredito que fato histórico que mais representa essa questão é a independência do Brasil. Na escola temos uma versão idealizada do grito de independência, uma versão “bonitinha”. Eu só descobri a “verdade” - que não sei se é verdadeira mesmo – nas aulas do cursinho para o vestibular. A sensação de que somos enganados aumenta muito quando saímos da escola. As lacunas da história foram se preenchendo nesse período; a formação da Alemanha, a URSS e sua ditadura e etc. Eu descobri a história depois da escola.

A referência do texto...

ARIÉS, Philippe. Uma criança descobre a história. In. _______ O tempo da História. Lisboa: Relógio d’Água, 1992.

Coisas que você não deve nunca esquecer.



                Eu sei que as vezes a vida vai só passando e você vai tomando decisões sem nem pensar. Ai passa um tempo e você está na merda. E pensa: “como eu vim parar aqui? Deus não existe, ou me odeia.” Mas não se iluda, foi você. É, foi você que se colocou nessa merda. Você pode culpar o seu pai, o seu filho, a sua mãe, o seu namorado/ marido/ amante/ ficante/ rolo/caso e barbante, mas meu filho foi você mesmo que fez isso. Porque você pode dizer que o seu... Que a sua... Obrigou-te a tomar essa decisão, te influenciou, te aconselhou, te qualquer coisa, mas no fim querido, foi você mesmo que fez. Era a sua mão, a sua cabeça, os teus pés e o teu computador. Às vezes fazemos sem perceber, tomamos uma decisão com um ato “desimportante”, no dia a dia, na pressa, na correria, pensando em outra coisa, fazendo outra... E PÁ! Um dia você acorda no meio da noite e se vê em um lugar que nunca queria estar. O que eu to fazendo aqui? Por que eu fazendo isso? Ai a gente volta lá para o começo da nossa conversa... A vida vai passando, eu vou decidindo, dormindo, engolindo, decidindo... Choro no banheiro de madrugada pra ninguém ver até de manhã banho maquiagem óculos...

                Sabe, todo mundo fala que os jovens só falam besteira, é idiota, não sabe o que fala, iludido, sonhador, besta... Mas talvez a única idiotice que o adolescente faça é não respeitar os pais. Eu acho que enquanto você é adolescente você devia fazer uma lista, uma lista de coisas que você abomina em um ser humano. De coisas que você não quer nunca fazer. Das coisas que são o seu sonho. Das coisas que não quer nunca se tornar.

                Ao longo de suas experiências com outros seres humanos e conhecimentos você pode ir acrescentando coisas, itens, tópicos, questões, problemas, lembretes, pensamentos, sentimentos, aquelas coisas que você não pode esquecer jamais.  Você pode até chegar a fazer um fichário separando seus lembretes por categoria!!

 




domingo, 2 de setembro de 2012

Azedume Lambuzado


A vida é lambuzada de azedume. Só quem não percebe são os que preferem viver na ignorância. Quem vê o mundo com olhos de propaganda, acredita na felicidade. Enganamos-nos dizendo que não vemos a sujeira, as pessoas que sofrem nas ruas, com fome, porque não temos tempo para isso. A exploração dos chefes não nos deixa escapatória para pensar nas tristezas que olhamos todos os dias, já que são eles mesmos que criam elas. Mas é mentira. Temos tempo para pensar. Mas quem é que quer? Pensar significa saber, e saber significa mudar. E assim continua o ciclo.
Na parte conspiratória podemos ver o esforço que se faz para que a gente não pense. A educação do país e a forma como são divulgadas as noticias faz o caminho contrário a sua proposta ideal. Ninguém tenta nos fazer pensar, tudo vem pronto e mal acabado. A pesquisa científica fica longe da vida real. Os estudos e autores que propuseram formas diferentes de viver são menosprezados, são ditos loucos, depressivos. A mídia que cria o consenso da massa nos deixa a par do pensamento e nossos atos falhos se tornaram sintoma de doença.
Assim é o mundo pós-moderno, lambuzado de azedume. E assim ele cria pessoas azedas, irritadas, criminosas. No geral sentem uma insatisfação que não sabem de onde vem. E de novo viramos sintomas de depressão ambulantes. É a consciência tentando nos avisar que estamos errados, que a vida está errada. Estamos infelizes e azedos por isso, pois tentamos abafar o grito de nossas mentes tentando dizer: você esta sendo enganado, o “Grande Irmão” é um ditador.