sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Vida 1,99


Eu duvido que alguém possa me dizer o que faça, com que eu sinta por você, que não sabe nada de sentir prazer. Eu sei que muitos olhos como os meus sentem vontade de escorrer, mas não sabem muito bem o que fazer para a cena deixar de ser.
Todos os dias somos obrigados a simplesmente esquecer, há muito trabalho para fazer, e o relógio que nunca para de bater, se sacode na parede com a bala que atravessa mais uma rotina.
Nas ruas eu procuro um guichê, um telefone, a ouvidoria desse produto chamado vida. Vende no mercado e vale pouco.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A morte está na vida

A vida às vezes dá a aflição de querer morrer. Tem a mania de anunciar repentinamente que quer nos escapar.
Eu vou te segurar.
A vida pode ser tão forte, tão severa com a fluidez do espaço e do tempo, mas insite em ser também livre para partir facilmente.
Eu vou te prender.

Nossa mente, nosso corpo, nossos 21 gramas estão sempre existindo e a todo instante na iminência de desistir, de sucumbir, de desaparecer.
Eu vou permanecer.

Somos todos antônimos de ser, paradoxos de viver, a contradição do desfalecimento e da rigidez, a antítese de comparecer e terminar.
Não vamos sucumbir.