Um dia nascerá enfim a verdadeira face do Eu. O Eu verdadeiro é aquele que somos obrigados a esconder na maior parte de nossas vidas. Desde os primórdios da criação da vida em sociedade vivemos cada dia em um mundo de aparências.
Talvez eu acredite em Rousseau, talvez a sociedade corrompa mesmo o homem. É justamente por culpa dela que devemos fingir nosso humor, nossa auto-estima, nosso egoísmo, nossos desejos mais íntimos e principalmente nosso gostar e não gostar. Ainda parafraseando Rousseau, e resumindo, a sociedade nos faz ser falsos. Temos uma maneira para se comportar diante de cada lugar, cada situação, cada pessoa.
E assim chegamos a Nietzsche e sua pergunta: quem foi que criou tudo isso? Quem? Quem foi que disse que é assim que temos que fazer, vestir, falar, comer, amar?
Eu não sei quem foi que disse, mas ele falou. E assim vamos vivendo. Vivendo em um mundo em que nada é, tudo apenas parece ser. E cada um de nós continua nessa angustia permanente de nunca poder gritar o que realmente se pensa, se sente. O mundo é um baile de mascaras que nunca tem fim. Às vezes mudamos as mascaras, conforme convém. Mas nunca as tiramos.
A verdadeira face do Eu já foi esquecida por muitos entre nós. Já não se lembram que ela existe e muito menos sua feição. Poucos são os que quando chegam em casa e tomam seu banho, lavam a maquiagem que escondia seu verdadeiro rosto.
Ah! E talvez sem o peso da mascara e a agonia de estar sempre atento para que ela não caia, a vida seja mais simples, mais amena, e mais delicada até.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Baile de Mascaras
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