Mordaças da Normalidade
As bocas fechadas, caladas, que na verdade expressão o ódio mortal
e a vontade de gritar.
Melhor calar a coragem que se tem somente antes de dormir.
Melhor calar a vontade de xingar e fugir.
Ah o sistema se faz de bobo, mas sabe cada palavra suja na
sua mente... Mas ele não liga. Você cumpre o seu papel e ele não se importa com
o que você pensa.
Sempre soubemos que uma força, uma ferramenta, um poder, nos
suga por completos até perdemos a noção do tempo que se passa lá fora. Ele vai
embora. E depois de 35 anos sobram os cacos de sonhos nunca realizados,
desgastado de tanto consumir o que não precisávamos.
Quando alguém percebe o que se passa ao seu redor, um ínfimo
tempo para pensar sobre tudo o que acontece, a piração logo é pirada, e o
sentimento abafado nas mordaças da normalidade. Elas te impedem de falar, de
expressar e de assumir que pensou o que jamais deveria pensar. Você mata o
pensamento de que um dia pensou sobre aquilo, para nunca nem mesmo ver
vestígios de que aquele pensamento chegou a existir.
É meio do feriado de um dia que na verdade nem existe, e
você deixa de existir mais uma vez, do lado de dentro de um prédio que não está
dentro de você.
A vida passa e a gente nunca sabe o que fazer com ela, ela
faz que sabe o que fazer com você e a gente faz que acredita que ela tomou a
melhor decisão. Não tem muito o que fazer quando na verdade se está preso em uma
ordem que passou a ser natural, uma ordem que transforma os desvios em norma,
que faz do esquisito a lei, do estranho o destino a ser alcançado por todos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Oi! Que bom que resolveu escrever! Sempre temos algo para falar!!