quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Mordaças da Normalidade

As bocas fechadas, caladas, que na verdade expressão o ódio mortal e a vontade de gritar.
Melhor calar a coragem que se tem somente antes de dormir. Melhor calar a vontade de xingar e fugir.
Ah o sistema se faz de bobo, mas sabe cada palavra suja na sua mente... Mas ele não liga. Você cumpre o seu papel e ele não se importa com o que você pensa.
Sempre soubemos que uma força, uma ferramenta, um poder, nos suga por completos até perdemos a noção do tempo que se passa lá fora. Ele vai embora. E depois de 35 anos sobram os cacos de sonhos nunca realizados, desgastado de tanto consumir o que não precisávamos.
Quando alguém percebe o que se passa ao seu redor, um ínfimo tempo para pensar sobre tudo o que acontece, a piração logo é pirada, e o sentimento abafado nas mordaças da normalidade. Elas te impedem de falar, de expressar e de assumir que pensou o que jamais deveria pensar. Você mata o pensamento de que um dia pensou sobre aquilo, para nunca nem mesmo ver vestígios de que aquele pensamento chegou a existir.
É meio do feriado de um dia que na verdade nem existe, e você deixa de existir mais uma vez, do lado de dentro de um prédio que não está dentro de você.

A vida passa e a gente nunca sabe o que fazer com ela, ela faz que sabe o que fazer com você e a gente faz que acredita que ela tomou a melhor decisão. Não tem muito o que fazer quando na verdade se está preso em uma ordem que passou a ser natural, uma ordem que transforma os desvios em norma, que faz do esquisito a lei, do estranho o destino a ser alcançado por todos.

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