sábado, 22 de agosto de 2015

Gentileza em Zubrowka

Diretor Wes Anderson acerta mais uma vez em seu novo filme “O Grande Hotel Budapeste”.


Bilhete de bagagem. Um advogado corre, entra em um museu. “Faltam 15 minutos para a exposição fechar”. Ele olha para trás, alguém o persegue. “Faltam 14 minutos para a exposição fechar”. Ele corre. Sobe as escadas. Vira uma esquina. Entra em um quarto. Atravessa a janela. Desce. Corre. Encontra os fundos. A porta de correr arranca os dedos de sua mão apoiada no batente. O assassino a empurrou. Os quatro dedos caem no chão do lado de fora da porta.

A narrativa de Wes Anderson é singular. Como em “Viagem à Darjeeling”, somos levados por aventuras incomuns, em cenários e personagens pitorescos em “O Grand Adrien Brody, Willem Dafoe, Mathieu Amalric, Saoirse Ronan, Jason Schwartzman, Harvey Keitel, Jeff Goldblum, Tilda Swinton, Owen Wilson, Tom Wilkinson, Edward Norton, Léa Seydouxsurgem e Bill Murray formam o elenco surpreendente do filme. Surpreendente, pois você não espera encontrar todos eles e em papéis completamente destoantes do restante de suas carreiras. Com destaque para Dafoe, que representa um vilão excepcional.

O filme é narrado por um velho escritor (Tom Wilkinson / Judy Law), que conta sobre o tempo que passou no Grande Hotel Budapeste, quando conheceu o dono do local (F. Murray Abraham), que lhe contou a história de como virou dono do lugar. “Veja, ainda existem fracos vislumbres de civilidade restantes nesse bárbaro matadouro que já foi conhecido como humanidade.” A frase, repetida durante a trama, descreve Monsieur Gustave (Ralph Fiennes), gerente do hotel.  Apaixonado por senhoras “ricas, velhas, inseguras, vaidosas, superficiais, loiras e carentes”, dedica sua vida à cortejá-las e a organizar o hotel. Um personagem doce, educado e ingênuo, contraditório ao meio que vive. Ao lado dele nessa história está Zero (Tony Revolori), o novo mensageiro do local. Os dois tornam-se cumplices e amigos, embora esteja quase sempre claro que outro é o empregado do um.

Tudo começa quando Gustave recebe a herança de uma das senhoras por quem era apaixonado. A família dela não gostou nem um pouco da leitura que o advogado fez do testamento e acusam-no de ter assassinado rica recém-falecida. Antes de ser prezo, Gustave e seu ajudante roubam o quadro “O menino da maça” da casa, antes que sua numerosa família desapareça com tudo.

Por entre cores vibrantes do cenário e do figurino, ações e reações inusitadas, humor negro e comédia, em um enredo metalinguístico, somos levados aos altos e baixos da saga dos protagonistas. Em busca da liberdade, do amor e do “Menino da Maça”, Monsieur Gustave e Zero percorrem o gelado país do leste Europeu: Zubrowka. Sem nunca mencionar diretamente, a história tem como pano de fundo o início de uma Guerra, propositalmente. O cenário e o protagonista evidenciam sua caracterização em meio à Guerra, deixando claro para os espectadores a contraposição entre as gentilezas de Gustave e o restante do mundo.

Para os acostumados aos habituais hollywoodianos, “O Grande Hotel Busdapeste” é refrescante. Você pode assisti-lo e somente se divertir com suas descontinuidades e assimetrias da realidade, ou pode refletir sobre um tempo que não existe mais, sobre  os “fracos vislumbres de civilidade restantes nesse bárbaro matadouro que já foi conhecido como humanidade".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oi! Que bom que resolveu escrever! Sempre temos algo para falar!!