quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A morte está na vida

A vida às vezes dá a aflição de querer morrer. Tem a mania de anunciar repentinamente que quer nos escapar.
Eu vou te segurar.
A vida pode ser tão forte, tão severa com a fluidez do espaço e do tempo, mas insite em ser também livre para partir facilmente.
Eu vou te prender.

Nossa mente, nosso corpo, nossos 21 gramas estão sempre existindo e a todo instante na iminência de desistir, de sucumbir, de desaparecer.
Eu vou permanecer.

Somos todos antônimos de ser, paradoxos de viver, a contradição do desfalecimento e da rigidez, a antítese de comparecer e terminar.
Não vamos sucumbir.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Mordaças da Normalidade

As bocas fechadas, caladas, que na verdade expressão o ódio mortal e a vontade de gritar.
Melhor calar a coragem que se tem somente antes de dormir. Melhor calar a vontade de xingar e fugir.
Ah o sistema se faz de bobo, mas sabe cada palavra suja na sua mente... Mas ele não liga. Você cumpre o seu papel e ele não se importa com o que você pensa.
Sempre soubemos que uma força, uma ferramenta, um poder, nos suga por completos até perdemos a noção do tempo que se passa lá fora. Ele vai embora. E depois de 35 anos sobram os cacos de sonhos nunca realizados, desgastado de tanto consumir o que não precisávamos.
Quando alguém percebe o que se passa ao seu redor, um ínfimo tempo para pensar sobre tudo o que acontece, a piração logo é pirada, e o sentimento abafado nas mordaças da normalidade. Elas te impedem de falar, de expressar e de assumir que pensou o que jamais deveria pensar. Você mata o pensamento de que um dia pensou sobre aquilo, para nunca nem mesmo ver vestígios de que aquele pensamento chegou a existir.
É meio do feriado de um dia que na verdade nem existe, e você deixa de existir mais uma vez, do lado de dentro de um prédio que não está dentro de você.

A vida passa e a gente nunca sabe o que fazer com ela, ela faz que sabe o que fazer com você e a gente faz que acredita que ela tomou a melhor decisão. Não tem muito o que fazer quando na verdade se está preso em uma ordem que passou a ser natural, uma ordem que transforma os desvios em norma, que faz do esquisito a lei, do estranho o destino a ser alcançado por todos.

Minha, nossa hipocrisia

Há tantas formas já exploradas de se expressar as contradições do amor, da vida enfim. Por que estamos sempre questionando as hipocrisias que nossos caminhos nos fazem cometer? O ser humano tem a irritante mania de amar àquilo que já ama e sempre deixar de lado àquilo que nunca amou. Temos grandes dificuldades de olhar para o outro como nós mesmos. Por que o cabelo na minha sopa de quem eu amo é tão menos pavoroso do que o cabelo de quem nunca gostei?

Eu deito na grama e agradeço para alguém por poder sempre conversar de madrugada, mas vivo minha vida sem perceber que alguém me olha de longe. Sentir a paz é ter vontade de agradecer por existir como se é, por ter a vida que se tem. Minha hipocrisia é sempre mostrar ser quem não sou e quase nunca, por isso, agradecer por simplesmente ser.
Acabamos sempre na busca de fazer sentido, não importa o quão relativo o sentido possa parecer e ser, há uma coerência dentro de cada um que faz o eixo não ficar fora do lugar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Tristeza nunca acaba

Eu pinto minhas tristezas que não posso expressar. Minha dança me liberta das dores que a vida causa. Vou escrevendo na tela, no chão e no papel o que ando sentindo e que não há maneira de outro alguém entender por palavras.
Minha alma se dilui na tintas e meus pés obedecem seus desmandos, rodopiando sem beleza, sem harmonia, sem esconder sua confusão. As palavras vão fugindo da minha mão e um texto que não pode ser lido borra as paredes.
Tristeza nunca acaba, mas o corpo é pequeno para a alma que o contém.
Desabando na bagunça que agora se fazia ao redor, acompanhado do que estava dentro, do corpo no chão escorria sua água de expressão e o teto parecia tão branco, tão simples.
O sol batendo no chão iluminava, trazia a paz que o universo tem de simplesmente seguir o seu curso, sem ter que pensar na infinidade de seres andando por ai.
(Texto escrito em 28/11/2011) 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O tempo


É nos tempos difíceis que nos perdemos, mas é neles também que temos a chance de nos encontrar profundamente.
Com o tempo, a gente aprende que moramos dentro de nós mesmos, que não adianta fugir, a gente sempre vai se levar junto.
É o tempo que nos mostra que música boa, é aquela que nos inspira, nos acalma, nos faz pensar.
Hoje eu percebi que minhas lembranças e meus erros, fazem de quem eu sou... Hoje eu me toquei que eles moram em mim, que não preciso da casa da minha infância para pensar o quanto eu brinquei e aprendi desde então.


Mas, só com o tempo, aprendi que tenho que ser quem eu sou, quem eu tenho vontade de ser... Aprendi que mudar, reconstruir, é na verdade olhar o mundo ao meu redor.
Só o tempo me fez entender que a pessoa mais importante que existe, sou eu mesma, e que Deus, é a forma como sinto o universo dentro de mim.
Mas a principal lição que o tempo me ensinou, é que eu não sei quase nada sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre o futuro, ou sobre a maneira que cada um tem de compreender o tempo e suas lições.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Como posso?

Como posso não pensar no destino se nos encontramos em meio a esse caos?
Como posso não sentir Deus se posso perceber a vida dentro de cada coisa?
Como posso não saber da ciência se vivo cada célula da evolução?
Como posso não crer no universo se há em mim infinitas formas de ver o mesmo mundo?