sábado, 6 de janeiro de 2018

Na maior parte do tempo, sou honesta

Já falei do tempo algumas vezes, sobre como ele passa e nos ensina tantas coisas. Ele continua a passar... meu sonhe é escrever um livro, contar sobre as loucuras que se passam na minha mente, sobre como vejo as pessoas se perdendo em suas noias, seus problemas, suas dificuldades e sobre como dão pouco valor às relações. Escrever sobre o que vejo na rua, no metro, no trem, em SP. Falamos tanto e fazemos pouco.

Não cuidamos do nosso dia a dia, pouco respeitamos nosso corpo, nossa alma e nossos pensamentos. Deixamos de lado nossos desejos mais profundos para viver uma vida que não é nossa, para comprar mais, para agradar que não dá quase nada em troca. Deixamos de dizer não e reprimimos tantas vontades. Tornamos impossível sermos respeitados, porque pouco fazemos por nós mesmos.

No caminho do trabalho, todos os dias, reflito sobre o quanto nos enganam, nos exploram, e não nos deixar ser. Vendem ideias absurdas, possíveis somente para quem tem dinheiro, privilégios, poder, e ainda nos acusam de preguiçosos, dependentes, tristes, sem iniciativa, burros, resilientes ao ponto da inconformidade.

Você se deita e imagina uma vida mais fácil, com mais tempo, com mais alegrias, com mais espaço, com mais possibilidades. Mas acorda para um mundo que arranca sua autonomia, seu caráter, sua dignidade, e que te conta uma história linda sobre a falácia da meritocracia. Alimentam um sonho impossível de ser alcançado pela maioria para você continuar servindo, continuar ativo, útil. E se você não acredita, é pessimista, mal-humorada, sem tesão.

Todos os dias, enquanto vejo a Marginal passa na janela, alguém comenta que odeia o trabalho, a empresa, o colega que senta ao lado. Uma criança chora, entra um moço vendendo fone e sua comparsa compra um para disfarçar. Eu os vejo trocando a mercadoria e o dinheiro atrás da coluna, fora do vagão. Na próxima estação entra uma dupla, tocando gaita e violino. Todos olham, alguns sorriem, um momento de vida sincera.


Na maior parte tempo sou honesta. Diplomática com meus desejos e obrigações. Agradável para os próximos e descontraída com os perrengues do cotidiano. Às vezes eu me irrito. Com a falta de empatia, com o Word, com a bagunça e a falta de administração. Me excedo com as palavras e histórias. Detesto loucuras pessoais que afetam a harmonia do grupo, que impedem o andamento, que alcançam a serenidade dos pensamentos. Nos deixem trabalhar, por favor, vão na terapia. Eu sei que eles nos fazem acreditar que o mais importante é se dedicar para eles, mas não acredite. Pode fingir, mas não se desespere. 

A vida



Eu poderia te mandar um texto sobre a vida, sobre o que aprendemos com ela,  sobre ela ser boa apesar de tudo, sobre o que você vai conseguir se persistir, mas todos eles são uma mentira. Eu poderia escrever para você um texto sobre a vida, sobre o que eu aprendi no pouco tempo que vivi, sobre o que eu vejo nas ruas, em casa e nos filmes. Eu facilmente poderia te enganar, e dizer que quando a gente tem força tudo é lindo, tudo da certo, e que todas as escolhas do coração são as melhores que fazemos e que no fim vai dar tudo certo, se não deu certo, não chegou ao final. Mas eu prefiro te dizer algumas verdades.

A vida é difícil pra caramba. A gente erra muito, a gente acerta muito, e os dois deixam marcas no nosso rosto e no nosso coração, igualmente profundas.

Tem dia que a gente que morrer, que ir embora, e têm dias que a gente quer abraçar o mundo, e tudo isso pode acontecer em questão de minutos.

Tem gente que é desgraçada, maldosa, sem alma, e tem algumas pessoas que tocam nosso coração, e não são tão lindas assim.

A gente tem que escolher toda hora, mesmo sem perceber, toda hora estamos fazendo escolhas. Mas também tem muita coisa que a gente não escolheu, e que acontece na nossa vida.

Mas o mais importante aspecto da vida é a família. Porque você pode ter problemas, fazer escolhas erradas, conhecer pessoas estranhas e maldosas, você pode errar muitas vezes, se você tiver ao seu lado uma pessoa que te ama, como (normalmente) somente a família pode fazer, sempre existirá um colo para você chorar e recomeçar.

sábado, 22 de agosto de 2015

Gentileza em Zubrowka

Diretor Wes Anderson acerta mais uma vez em seu novo filme “O Grande Hotel Budapeste”.


Bilhete de bagagem. Um advogado corre, entra em um museu. “Faltam 15 minutos para a exposição fechar”. Ele olha para trás, alguém o persegue. “Faltam 14 minutos para a exposição fechar”. Ele corre. Sobe as escadas. Vira uma esquina. Entra em um quarto. Atravessa a janela. Desce. Corre. Encontra os fundos. A porta de correr arranca os dedos de sua mão apoiada no batente. O assassino a empurrou. Os quatro dedos caem no chão do lado de fora da porta.

A narrativa de Wes Anderson é singular. Como em “Viagem à Darjeeling”, somos levados por aventuras incomuns, em cenários e personagens pitorescos em “O Grand Adrien Brody, Willem Dafoe, Mathieu Amalric, Saoirse Ronan, Jason Schwartzman, Harvey Keitel, Jeff Goldblum, Tilda Swinton, Owen Wilson, Tom Wilkinson, Edward Norton, Léa Seydouxsurgem e Bill Murray formam o elenco surpreendente do filme. Surpreendente, pois você não espera encontrar todos eles e em papéis completamente destoantes do restante de suas carreiras. Com destaque para Dafoe, que representa um vilão excepcional.

O filme é narrado por um velho escritor (Tom Wilkinson / Judy Law), que conta sobre o tempo que passou no Grande Hotel Budapeste, quando conheceu o dono do local (F. Murray Abraham), que lhe contou a história de como virou dono do lugar. “Veja, ainda existem fracos vislumbres de civilidade restantes nesse bárbaro matadouro que já foi conhecido como humanidade.” A frase, repetida durante a trama, descreve Monsieur Gustave (Ralph Fiennes), gerente do hotel.  Apaixonado por senhoras “ricas, velhas, inseguras, vaidosas, superficiais, loiras e carentes”, dedica sua vida à cortejá-las e a organizar o hotel. Um personagem doce, educado e ingênuo, contraditório ao meio que vive. Ao lado dele nessa história está Zero (Tony Revolori), o novo mensageiro do local. Os dois tornam-se cumplices e amigos, embora esteja quase sempre claro que outro é o empregado do um.

Tudo começa quando Gustave recebe a herança de uma das senhoras por quem era apaixonado. A família dela não gostou nem um pouco da leitura que o advogado fez do testamento e acusam-no de ter assassinado rica recém-falecida. Antes de ser prezo, Gustave e seu ajudante roubam o quadro “O menino da maça” da casa, antes que sua numerosa família desapareça com tudo.

Por entre cores vibrantes do cenário e do figurino, ações e reações inusitadas, humor negro e comédia, em um enredo metalinguístico, somos levados aos altos e baixos da saga dos protagonistas. Em busca da liberdade, do amor e do “Menino da Maça”, Monsieur Gustave e Zero percorrem o gelado país do leste Europeu: Zubrowka. Sem nunca mencionar diretamente, a história tem como pano de fundo o início de uma Guerra, propositalmente. O cenário e o protagonista evidenciam sua caracterização em meio à Guerra, deixando claro para os espectadores a contraposição entre as gentilezas de Gustave e o restante do mundo.

Para os acostumados aos habituais hollywoodianos, “O Grande Hotel Busdapeste” é refrescante. Você pode assisti-lo e somente se divertir com suas descontinuidades e assimetrias da realidade, ou pode refletir sobre um tempo que não existe mais, sobre  os “fracos vislumbres de civilidade restantes nesse bárbaro matadouro que já foi conhecido como humanidade".

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Vida 1,99


Eu duvido que alguém possa me dizer o que faça, com que eu sinta por você, que não sabe nada de sentir prazer. Eu sei que muitos olhos como os meus sentem vontade de escorrer, mas não sabem muito bem o que fazer para a cena deixar de ser.
Todos os dias somos obrigados a simplesmente esquecer, há muito trabalho para fazer, e o relógio que nunca para de bater, se sacode na parede com a bala que atravessa mais uma rotina.
Nas ruas eu procuro um guichê, um telefone, a ouvidoria desse produto chamado vida. Vende no mercado e vale pouco.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A morte está na vida

A vida às vezes dá a aflição de querer morrer. Tem a mania de anunciar repentinamente que quer nos escapar.
Eu vou te segurar.
A vida pode ser tão forte, tão severa com a fluidez do espaço e do tempo, mas insite em ser também livre para partir facilmente.
Eu vou te prender.

Nossa mente, nosso corpo, nossos 21 gramas estão sempre existindo e a todo instante na iminência de desistir, de sucumbir, de desaparecer.
Eu vou permanecer.

Somos todos antônimos de ser, paradoxos de viver, a contradição do desfalecimento e da rigidez, a antítese de comparecer e terminar.
Não vamos sucumbir.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Mordaças da Normalidade

As bocas fechadas, caladas, que na verdade expressão o ódio mortal e a vontade de gritar.
Melhor calar a coragem que se tem somente antes de dormir. Melhor calar a vontade de xingar e fugir.
Ah o sistema se faz de bobo, mas sabe cada palavra suja na sua mente... Mas ele não liga. Você cumpre o seu papel e ele não se importa com o que você pensa.
Sempre soubemos que uma força, uma ferramenta, um poder, nos suga por completos até perdemos a noção do tempo que se passa lá fora. Ele vai embora. E depois de 35 anos sobram os cacos de sonhos nunca realizados, desgastado de tanto consumir o que não precisávamos.
Quando alguém percebe o que se passa ao seu redor, um ínfimo tempo para pensar sobre tudo o que acontece, a piração logo é pirada, e o sentimento abafado nas mordaças da normalidade. Elas te impedem de falar, de expressar e de assumir que pensou o que jamais deveria pensar. Você mata o pensamento de que um dia pensou sobre aquilo, para nunca nem mesmo ver vestígios de que aquele pensamento chegou a existir.
É meio do feriado de um dia que na verdade nem existe, e você deixa de existir mais uma vez, do lado de dentro de um prédio que não está dentro de você.

A vida passa e a gente nunca sabe o que fazer com ela, ela faz que sabe o que fazer com você e a gente faz que acredita que ela tomou a melhor decisão. Não tem muito o que fazer quando na verdade se está preso em uma ordem que passou a ser natural, uma ordem que transforma os desvios em norma, que faz do esquisito a lei, do estranho o destino a ser alcançado por todos.

Minha, nossa hipocrisia

Há tantas formas já exploradas de se expressar as contradições do amor, da vida enfim. Por que estamos sempre questionando as hipocrisias que nossos caminhos nos fazem cometer? O ser humano tem a irritante mania de amar àquilo que já ama e sempre deixar de lado àquilo que nunca amou. Temos grandes dificuldades de olhar para o outro como nós mesmos. Por que o cabelo na minha sopa de quem eu amo é tão menos pavoroso do que o cabelo de quem nunca gostei?

Eu deito na grama e agradeço para alguém por poder sempre conversar de madrugada, mas vivo minha vida sem perceber que alguém me olha de longe. Sentir a paz é ter vontade de agradecer por existir como se é, por ter a vida que se tem. Minha hipocrisia é sempre mostrar ser quem não sou e quase nunca, por isso, agradecer por simplesmente ser.
Acabamos sempre na busca de fazer sentido, não importa o quão relativo o sentido possa parecer e ser, há uma coerência dentro de cada um que faz o eixo não ficar fora do lugar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Tristeza nunca acaba

Eu pinto minhas tristezas que não posso expressar. Minha dança me liberta das dores que a vida causa. Vou escrevendo na tela, no chão e no papel o que ando sentindo e que não há maneira de outro alguém entender por palavras.
Minha alma se dilui na tintas e meus pés obedecem seus desmandos, rodopiando sem beleza, sem harmonia, sem esconder sua confusão. As palavras vão fugindo da minha mão e um texto que não pode ser lido borra as paredes.
Tristeza nunca acaba, mas o corpo é pequeno para a alma que o contém.
Desabando na bagunça que agora se fazia ao redor, acompanhado do que estava dentro, do corpo no chão escorria sua água de expressão e o teto parecia tão branco, tão simples.
O sol batendo no chão iluminava, trazia a paz que o universo tem de simplesmente seguir o seu curso, sem ter que pensar na infinidade de seres andando por ai.
(Texto escrito em 28/11/2011) 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O tempo


É nos tempos difíceis que nos perdemos, mas é neles também que temos a chance de nos encontrar profundamente.
Com o tempo, a gente aprende que moramos dentro de nós mesmos, que não adianta fugir, a gente sempre vai se levar junto.
É o tempo que nos mostra que música boa, é aquela que nos inspira, nos acalma, nos faz pensar.
Hoje eu percebi que minhas lembranças e meus erros, fazem de quem eu sou... Hoje eu me toquei que eles moram em mim, que não preciso da casa da minha infância para pensar o quanto eu brinquei e aprendi desde então.


Mas, só com o tempo, aprendi que tenho que ser quem eu sou, quem eu tenho vontade de ser... Aprendi que mudar, reconstruir, é na verdade olhar o mundo ao meu redor.
Só o tempo me fez entender que a pessoa mais importante que existe, sou eu mesma, e que Deus, é a forma como sinto o universo dentro de mim.
Mas a principal lição que o tempo me ensinou, é que eu não sei quase nada sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre o futuro, ou sobre a maneira que cada um tem de compreender o tempo e suas lições.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Como posso?

Como posso não pensar no destino se nos encontramos em meio a esse caos?
Como posso não sentir Deus se posso perceber a vida dentro de cada coisa?
Como posso não saber da ciência se vivo cada célula da evolução?
Como posso não crer no universo se há em mim infinitas formas de ver o mesmo mundo?

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Arte free!


Para você que adora arte!
Encontrei na net o site Feed Your Soul: the free art project
São artes lindas envidas por vários artistas. O mais legal é que você pode fazer o download grátis!
Aliás, essa é a ideia do site, arte livre!
Você pode usar as imagens para criar quadrinhos e enfeitar suas paredes; pode somente deixá-los no fundo de tela e até colá-los no caderno!





Domingo na Paulista!


Domingo não é mais dia de descansar, é dia de passear de bicicleta! Todos os domingos várias ruas de São Paulo são fechadas parcialmente e formam uma ciclofaixa. A ciclofaixa fica aberta das 7h da manhã às 16h, e possui diversos percursos diferentes, possui no total 67 km de extensão.
 O mais legal de passear na ciclofaixa é poder andar naquelas avenidas super-movimentadas  que você passa de carro e fica parado no transito! Entre elas então ruas como Av. República do Líbano, Av. Brig. Faria Lima, Av. Hélio Pellegrino e etc.
Recentemente foi inaugurado outro percurso da ciclofaixa de São Paulo, e quem não poderia faltar, fui incluída na brincadeira: a Avenida Paulista. São 5 km de extensão e o horário de funcionamento é o mesmo. Passear de bike na Avenida Paulista é o máximo, poder ver todos aqueles prédios e calçadas que são recheados de engravatados a semana toda, mas de outra perspectiva. É porque andar de bike te dá outra visão da cidade e das ruas, você sente o relevo na perna!
Mas como chegar até a Paulista de bike? Essa é uma pergunta que muita gente se faz. Muita gente vai de carro, carregando a bicicleta em aparelhos especializados para isso, e estaciona o carro lá perto. O que pouca gente sabe é que nos fins de semana o metro é liberado para bicicletas, assim podemos aproveitar todas as partes da cidade. 

sábado, 29 de setembro de 2012

Raízes


Desembaraçando as raízes presas nos meus pés.
Caminhar é necessário.
Deixe as flores onde elas estão, assim todos que passarem poderão vê-las, mas recorte as amarras e caminhe... Há muitas flores no caminho e muitos outros espinhos vão te pinicar.
Troque destinos e embaralhe conhecimentos.
A ideia alheia nos faz crescer, o olho do próximo nos faz enxergar.
Mude, mas faça sentido.
Conhecer a si próprio é algo que poucos conquistam, dá medo de encontrar uma profunda inexistência.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A arte

Minha arte me ilumina, me inspira, me completa.
Todo mundo tem um pouco de arte, todo mundo uma hora ou outra transcende esse universo cinza.
Ter arte é sentir, mesmo por um instante, algo que completa, é extravasar um sentimento representando o abstrato que existe de você.
À flor da pele.

Com tinta, com palavras, com a dança, com música, com a escultura, com inúmeras formas de tentar mostrar para o outro, ou para si mesmo, o caos que a mente vive, todo dia e toda hora tentando decifrar os signos nos afogando, nos afundando.
A arte é rupestre, ela é parte de nós, é o ser humano mostrando sua parte boa.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Aconchego

No pretérito do abismo você não existia, minha vida era vazia.
Com a invenção do aconchego minha vida virou de mundo.
Agora tudo era dois, era nós, era da gente, era nosso, era junto e aproximado.
Era ao mesmo tempo.
Nas férias de viver você é meu recanto e
enquanto dormes, sei que ainda me olha de canto.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A gigante da cidade



Dirigindo pelas ruas de São Paulo... Prédios para todos os lados, o barulho do trânsito, da ambulância, da buzina da moto... Indo trabalhar, sábado, atrasada... Calor insuportável e nada de ar condicionado. O pensamento acelerado faz meus olhos correrem para todos os lados. De repente uma árvore. Uma seringueira enorme, no meio de tudo aquilo. Tudo desligou enquanto meus olhos focaram somente naquela árvore. Linda. Impune. Gigante. Desprezando a imensidão de cinza a sua volta, sobrevivendo. Buuuuuuuuuuuuuuzina. Volta pra realidade. Antes de engatar primeira um pensamento: tenho que ser impune como ela. Gigante como ela. Tenho que desprezar esse cinza que atormenta e continuar sobrevivendo dentro de mim.

Como você descobriu a história?


A partir do texto Uma criança constrói a história de Phillipe Airés veio a inspiração...




Como com o autor, vivi em um oásis durante muito tempo. As histórias do passado ou de meu próprio tempo não faziam parte de minha vida. Em casa o jornal era ligado na televisão todos os dias, a voz grave e alta do meu pai fazia comentários sarcásticos e críticos todos os momentos, com faz até hoje. Eu e meu irmão perguntávamos o que aquilo queria dizer, por que ele achava aquilo uma bobagem, ou uma mentira deslavada. Ele explicava. Mas mesmo assim, não fazia parte de mim. Eu perguntava só pra ouvir a voz do meu pai, não porque realmente me interessava o que acontecia além da porta de casa. Alguns fatos históricos influenciam diretamente em nossa vida, por mais que não pensamos em história. Quando era criança o fato mais importante foi o Plano Real. Eu achei aquilo muito estranho. Como um papel podia valer alguma coisa e depois não valia nada e, ainda ia ter outro papel que ia valer alguma coisa; pior ainda, 2000 do papel anterior era a mesma coisa que 1 do papel de agora...  O dinheiro é mesmo uma coisa fascinante.
A história de antes demorou a fazer parte de minha vida. A história do Brasil de meu pai e minha mãe influenciou diretamente em suas vidas. Um mundo completamente diferente do meu e, que não tenho a mínima vontade de viver. Os anos da ditadura são uma página em branco nos causos de meu pai; mineiro que só ele, vive contando suas histórias de infância, de adolescência, de faculdade, de seu primeiro trabalho e etc. Mas os anos 60 e 70 têm lacunas que não ouso preencher. Foi só quando estudei na escola o período militar que falamos sobre ele em casa. Meu pai respondeu todas as minhas perguntas históricas, sem dizer uma palavra de suas próprias vivências, mas gritando suas próprias conclusões. Da segunda vez que estudei o período meu pai já não morava em casa e minha mãe contou a versão dela. Uma das poucas pessoas que não sofreu tanto assim, sempre que tocamos no assunto ela repete: “Hippie era coisa de rico, eu estava muito ocupada trabalhando para ajudar meu pai a comprar batatas”. E então ela passava a falar de história do meu pai. O que descobri em fim, foi que meu avô paterno era comunista e que ele e meu pai foram presos juntos. Nada mais.
A história dos meus avós me fascinou desde pequena. Por ter descendência armênia me sentia diferente da maioria dos meus colegas e amigos. Era um mundo estranho, tão difícil de achar no mapa, diferente da Itália e da Espanha, descendência da maioria absoluta. Além disso, a história dos bisavôs é um pouco turva, ninguém sabe direito como tudo aconteceu. Pra variar, tudo começou com a guerra! A guerra dos armênios e os turcos foi sanguinária. Os armênios foram dizimados e expulsos de sua terra. Meu bisavô lutou nessa guerra como chefe de revolução. Depois que as cidades foram invadidas pelos turcos, os armênios se escondiam em sua terra que tanto conheciam. No meio da noite desciam para a cidade e matavam o turcos enquanto eles dormiam. Na volta para o esconderijo eles faziam a contagem de quantos turcos haviam matado; a contagem era feita com as orelhas arrancadas daqueles que cada um matou. Meu bisavô foi descoberto e resolveu fugir. A primeira versão da história é que ele pegou sua mulher, minha bisavó e fugiram de barco para a Europa, passaram pela França e depois vieram para o Brasil. A segunda versão é que meu bisavô roubou minha bisavó de seu então marido enquanto fugia. Até hoje ninguém sabe se o meu avô nasceu no Brasil ou na França.
A primeira vez que me senti vivendo a história foi em 11 de setembro de 2001. Pela primeira vez na vida eu vi na TV e no jornal, ao vivo, algo que eu pensava que só veria nos livros de história, na boca dos mais velhos, em um filme de Hollywood. Foi um dia inesquecível para todos de minha geração. Com certeza para todos nós foi a primeira vez. A gente dizia: “Que horror... Nossa, nossos filhos vão estudar isso na escola”.  A partir dai a história foi mais presente em minha vida. Pensando hoje, entendo que é preciso ter maturidade para perceber como a história do mundo pode de fato influenciar em nossas vidas. Mas como também ela chega para nós de forma deturbada, irreal, recortada segundo os critérios do poder, da política. Quantos fatos que não sabemos, ou que sabemos metade da história? Mesmo dentro da escola a história que aprendemos é na verdade uma releitura de nosso passado. Acredito que fato histórico que mais representa essa questão é a independência do Brasil. Na escola temos uma versão idealizada do grito de independência, uma versão “bonitinha”. Eu só descobri a “verdade” - que não sei se é verdadeira mesmo – nas aulas do cursinho para o vestibular. A sensação de que somos enganados aumenta muito quando saímos da escola. As lacunas da história foram se preenchendo nesse período; a formação da Alemanha, a URSS e sua ditadura e etc. Eu descobri a história depois da escola.

A referência do texto...

ARIÉS, Philippe. Uma criança descobre a história. In. _______ O tempo da História. Lisboa: Relógio d’Água, 1992.

Coisas que você não deve nunca esquecer.



                Eu sei que as vezes a vida vai só passando e você vai tomando decisões sem nem pensar. Ai passa um tempo e você está na merda. E pensa: “como eu vim parar aqui? Deus não existe, ou me odeia.” Mas não se iluda, foi você. É, foi você que se colocou nessa merda. Você pode culpar o seu pai, o seu filho, a sua mãe, o seu namorado/ marido/ amante/ ficante/ rolo/caso e barbante, mas meu filho foi você mesmo que fez isso. Porque você pode dizer que o seu... Que a sua... Obrigou-te a tomar essa decisão, te influenciou, te aconselhou, te qualquer coisa, mas no fim querido, foi você mesmo que fez. Era a sua mão, a sua cabeça, os teus pés e o teu computador. Às vezes fazemos sem perceber, tomamos uma decisão com um ato “desimportante”, no dia a dia, na pressa, na correria, pensando em outra coisa, fazendo outra... E PÁ! Um dia você acorda no meio da noite e se vê em um lugar que nunca queria estar. O que eu to fazendo aqui? Por que eu fazendo isso? Ai a gente volta lá para o começo da nossa conversa... A vida vai passando, eu vou decidindo, dormindo, engolindo, decidindo... Choro no banheiro de madrugada pra ninguém ver até de manhã banho maquiagem óculos...

                Sabe, todo mundo fala que os jovens só falam besteira, é idiota, não sabe o que fala, iludido, sonhador, besta... Mas talvez a única idiotice que o adolescente faça é não respeitar os pais. Eu acho que enquanto você é adolescente você devia fazer uma lista, uma lista de coisas que você abomina em um ser humano. De coisas que você não quer nunca fazer. Das coisas que são o seu sonho. Das coisas que não quer nunca se tornar.

                Ao longo de suas experiências com outros seres humanos e conhecimentos você pode ir acrescentando coisas, itens, tópicos, questões, problemas, lembretes, pensamentos, sentimentos, aquelas coisas que você não pode esquecer jamais.  Você pode até chegar a fazer um fichário separando seus lembretes por categoria!!